Dai então, a Primavera.

Sua pele manchava a cor. Deslizavam, sobre o marrom, os poros.  O calor não continha a incoerência do vento gelado, e aquelas eram pernas não tinham pressa. Lá pra dentro da janela se ouvia o despertador tocar, um zilhão de vezes, e o café estava forte. A fumaça do café dava forma a um corpo inerente ao belo.

O Cronômetro era arbitrário. Ao terminar o café seria a hora do trabalho. Mas primeiro da caminhada. Seguida dos encontros no ônibus. Os vários cheiros. As várias vontades de ir embora. Na entrada do trampo, prender o cabelo. No vestuário, encaixar o uniforme na sua pele, na sua cor.

Hora do almoço, outro café. E a fumaça como patente das pernas.  Conversas de amor, ódio, paixão, relação e desespero. Haviam muitos desesperos nesses assuntos de trabalho. Muitos desesperos em baixo das unhas daqueles trabalhadores de uniforme. E eram muitas histórias, todas iguais, com diferença de odor, mas todas iguais.

Hora de ir embora. O cronômetro era solidário. Sua casa parecia-lhe grande. Outro café foi passado. E então o sofá. Deslizavam sobre o marrom os poros. Seu corpo não se mantinha suficiente. O espaço era escasso. A medida que tudo aumentava menos o corpo, o ar a detinha mais e mais pela madrugada. Faltava-lhe ar para dormir. Então, passou a faltar-lhe o sono.

A pele parecia cada vez mais grosseira. Manchava tua cor. Enfincavam sobre o marrom, os poros, os pelos, a oleosidade.

Era a hora de ir embora. Não de uniformes e cafés amargos. Era hora de ir embora tomar água.

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